segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Bicicleta Azul 3- O Sorriso do Diabo - Régine Deforges

Título Original: Le Di’able S’em Rit Encore
Autora: Régine Deforges
Editora: Editora Best Seller
Edição: 7º edição
Tradução: Ligia Guterres
ISBN: 85-85091-15-0
Páginas: 378
"... Eis que o tempo faz a sua obra - as lágrimas secarão, o ódio se extinguirá, os túmulos desaparecerão. A França, porém, continuará a existir". 
- Charles de Gaulle (Memórias de Guerra - "A Salvação")

"Wo wir sind, da ist immer vorn
Und der Teufel der lacht nur dazu.
Ha, Ha, Ha, Ha, Ha, Ha, Ha!"

"Onde estamos é sempre na vanguarda
E é aí que o Diabo ainda ri.
Ha, Ha, Ha, Ha, Ha, Ha, Ha!"

Em 1944, já não há dúvidas quanto ai desfecho da Segunda Guerra Mundial. Cada qual escolheu seu campo. Chegou a hora das matanças, dos ajustes de contas, dos últimos e decisivos confrontos militares.
A jovem Léa Delmas, que conheceu o horror em todas as formas, que descobriu o ódio e se temperou na coragem, agora está amadurecida. Tendo se envolvido nas lutas da Resistência francesa até o limite de suas forças, quer continuar ativa até o fim. O caminho que escolheu a leva desde Montillac em chamas até Berlim em ruínas, passando por Paris já em clima de festa, mas ainda não livre de perigos. 
Durante os últimos dois anos do conflito, é desses riscos que a corajosa Léa tira uma razão para viver. E, terminado o pesadelo em 1945, a vida de Léa irá finalmente culminar no amor.

Terceiro volume da série Bicicleta Azul da escritora francesa Régine Deforges, O Sorriso do Diabo é um livro forte e arrebatador. Depois de conhecer Léa, a heroína corajosa e fora dos padrões, bem como os demais personagens, igualmente marcantes, a história chega à um ponto crucial. 
É 1994, fase final da guerra, e também a mais crítica. Léa e Camille envolvem-se de uma vez com a Resistência Francesa, tornando-se fugitivas. As duas mulhers e o pequeno Charles, filho de Camille e Laurent. abrigam-se no interior da França, sem receber notícias de suas famílias. Enquanto isso a guerra se alastra e martiriza a todos. O padre Adrian Delmas perde sua fé completamente e toma uma decisão que muda sua vida de uma vez por todas, decide matar, com suas próprias mãos, o colaboracionista Maurice Fiaux.
Após diversas reviravoltas, como a destruição de Montillac, Léa retorna a Paris. De volta à rua da Universidade, no apartamento de suas tias Lisa e Albertine, ela acaba adoecendo devido as pressões da guerra. 

"Léa sentiu no seu próprio crânio o frio do metal da máquina de tosquiar. Perto dela, algumas mulheres ficaram silenciosas.Uma delas enxugou uma lágrima, talvez solidária, enfim, com aquela criatura humilhada, ridícula, com sua cabecinha emergindo do vestido de flores e o cartaz pendente do pescoço onde uma mão desajeitada escrevera: PUTA QUE VENDEU O MARIDO.
Dois homens levantaram a mulher e a empurraram para junto das outras já tosquiadas, que se ajeitaram no banco, dando-lhe lugar. Sentou-se ao lado de uma mãe que embalava o filho.
Avidamente, Léa olhou para o grupo das que ainda tinham cabelos, à procura de Françoise.
Uma moça alta, elegante e morena, veio substituir a senhora Michaud na cadeira.  - Olhem só, minhas senhoras e meus senhores!... Olhem. Ao vê-la assim tão séria e compenetrada, lhe dariam a comunhão sem confissão. Pois bem, senhoras e senhores. - - é uma porca que preferiu dar o cu aos alemães em vez de a um dos nossos heróis! O que é que isso merece?
- Raaaaaspem-na! Raaaaaspem-na!
Era um jogo, uma farsa, uma comédia, um mistério como os que antigamente se representavam no patamar das catedrais para edificação dos fiéis. Nesses tempos remotos, porém, não se tratava do Mistério das Virgens Loucas e das Virgens Prudentes nem dos jogos do Casamento ou da Folhagem, mas sim do Mistério da Paixão. Não era aquele que se representara em Valenciennes, em 1547, e pelo qual os assistentes pagaram meio soldo ou seis dinheiros, mas sim o quadro da época atual absurda e magnífica, covarde e magnânima corajosa e estúpida, heroica e criminosa, vivida pela França nos primeiros dias da sua libertação." Página 222  

Quando volta si, toma a decisão de se alistar na Cruz Vermelha, com a ajuda de François Tavernier. Após ser admitida como condutora dos feridos, Léa é enviada primeiro ao norte da França, posteriormente a Inglaterra e por último para Berlim, onde se depara com os horrores da Alemanha arrasada, e a triste realidade dos campos de concentração.

"Prados e pinhais estendiam-se a perder de vista, O caminho subia em direção ao campanário pontiagudo que dominava o casario da aldeia de Bergen. As casas eram rodeadas por maciços de flores. Sem os tanques, os caminhões e os soldados estacionados ao longo da estrada, parecia que a guerra se desenrolava bem longe dali.
De repente, depois de uma curva do caminho, numa planície nua, surgiu a visão de um universo de pesadelo,
com as barreiras de arame farpado, torres de vigia e filas de barracões esverdeados.
Criaturas esqueléticas, vestidas com sacos listrados, erravam sobre a areia cinzenta. Alguns dos fantasmas aproximaram-se da cerca para vir ao encontro dos recém-chegados. Estendiam-lhes os braços descarnados e procuravam sorrir, enquanto as lágrimas lhes deslizavam pelos rostos desfeitos. Mas os sorrisos eram de tal
forma horríveis que amendrontavam os soldados. Ficaram imóveis por instantes, como se temessem o que iriam descobrir.
O dr. Hughes mandou distribuir café quente. Depois entraram no campo.
Presos ao arame farpado viam-se cadáveres seminus. Pelo chão, mais cadáveres de homens, de mulheres e de crianças, despidos ou cobertos de farrapos, mísera escória da humanidade.
Lentamente, os ingleses penetravam num mundo além da imaginação, povoado de criaturas que recuavam erguendo um braço diante do rosto, ou que se adiantavam, eretas, transportando com dificuldade o peso do próprio corpo e emitindo um som leve, semelhante ao roçar de milhares de patas de insetos.
Léa caminhava muito ereta, sem conseguir despregar os olhos dos rostos de cores insólitas - bistre, verde, cinzento, ou violeta.
A multidão de mortos-vivos abria alas diante deles. Entraram  por um caminho de ronda, à esquerda, depois à direita. Esmagador e sombrio, todo o horror do campo de concentração se revelava a eles." Página 346 - 347  

Esse livro é melhor que os dois primeiros, mostra os absurdos da guerra de uma maneira tão verdadeira que chega a impressionar. No princípio é bastante cansativo, principalmente na parte em que Léa e Camille estão escondidas com a Resistência. Além disso não é romântico como os outros volumes anteriores, François Tavernier aparece apenas depois da metade do livro.
Apesar disso fica claro o crescimento psicológico dos personagens. Léa deixa de ser uma garota mimada e passional, para se tornar uma mulher empreendedora e sensível ao mesmo tempo, e François Tavernier deixa de ser apenas um conquistador misterioso para se tornar um homem verdadeiramente apaixonado e de caráter muito mais firme.
Aqueles que tiverem paciência e persistirem na leitura se surpreenderão com o brilhante desfecho. É impossível terminar esse livro sem se sentir enredado e preso à história. Leitura Indicada!
Minha Avaliação: ♦♦♦♦♦ (Ótimo)



Outros Livros da Série (Confira as resenhas dos volumes anteriores):

A Bicicleta Azul 3 - O Sorriso do Diabo
A Bicicleta Azul 4 - Tango Negro
A Bicicleta Azul 5 - Rua de Seda
A Bicicleta Azul 6 - A Última Colina
A Bicicleta Azul 7 - Cuba Libre
A Bicicleta Azul 8 - Argel, Cidade Branca

Um comentário:

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Beijos♥
H.C.C.Reis

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