segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Eu sou o mensageiro - Markus Zusak

Título Original: The Messenger
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Tradução: Antônio E. de Moura Filho
ISBN: 978-85-98078-29-8
Páginas: 318
Ed Kennedy. Dezenove anos. Um perdedor.

Seu emprego: taxista. Sua filiação: um pai morto pela birita e uma mãe amarga, ranzinza. Sua companhia constante: um cachorro fedorento e um punhado de amigos fracassados.
Sua missão: algo de muito importante, com o potencial de mudar algumas vidas. Por que? Determinado por quem? Isso nem ele sabe.




Markus Zusak, autor do best-seller A menina que Roubava Livros, nos fornece essas respostas nem aos poucos neste incomum romance de suspense, escrito antes do seu maior sucesso. O que se sabe é que Ed, um dia, teve a coragem de impedir um assalto a banco. E que, um pouco depois disso, começou a receber cartas anônimas. O conteúdo: invariavelmente, uma carta de baralho, um ou mais endereços e... só. Fazer o que nesses lugares? Procurar quem? Isso ele só saberá se for. Se tentar descobrir. E, com o misto de destemor e resignação dos mais clássicos anti-heróis, daqueles que sabem não ter mesmo nada a perder nesse mundo, é o que ele faz.
Ed conhecerá novas pessoas nessa jornada. Conhecerá melhor algumas pessoas nem tão novas assim. Mas, acima de tudo, a sua missão é de autoconhecimento. Ao final dela, ele entenderá melhor seu potencial no mundo e em que consiste ser mensageiro.

Em uma palavra: incomum. Eu sou o mensageiro é o tipo de livro impossível de querer explicar. É uma história única e especial, do tipo que acaba mexendo com os sentimentos e certezas do leitor. Ed Kennedy é um típico jovem sem perspectivas, desprezado pela própria mãe, apaixonado pela melhor amiga, que não que nada com ele, e sem sonhos concretos para o futuro. A vida de Ed sofre uma reviravolta quando ele ajuda a prender um assaltante de banco. A partir desse dia ele passa a receber cartas de baralho, mais especificamente ases, com enigmas a resolver. Ele parte, as cegas, em uma missão cujo propósito ele não compreende, a mando de alguém que ele nem mesmo sabe quem é.

"Vou te contar um pouco sobre minha vida. Toda semana, pelo menos em algumas noites, eu jogo cartas. E o que fazemos. Jogamos um lance chamado Porre, que não tem nada de difícil e é o único jogo que a gente curte sem cair no bate-boca toda hora. Tem o Marv, que nunca fecha a matraca, que fica lá sentado, tentando fumar charutos e curtir ao mesmo tempo. Tem o Ritchie, que fica sempre na dele, exibindo uma tatuagem supertosca no braço direito. Ele tira um gole de sua VB long-neck do início ao fim e toca no bigodinho, que parece até que foi colado fio por fio naquela cara de moleque. Tem a Audrey. Audrey sempre se senta de cara pra mim, bem na minha frente, não interessa o jogo. Ela tem cabelo amarelo, pernas finas, o sorrisinho torto mais lindo do mundo, quadris enlouquecedores e se amarra em ver filmes. Ela também trabalha como taxista. Daí vem eu. Antes até de começar a entrar em detalhes sobre mim, acho melhor ir contando alguns outros fatos: 1. Quando tinha 19 anos, Bob Dylan já era veterano da noite do Greenwich Village, em Nova York. 2. Salvador Dalí já tinha pintado uma porrada de quadros sensacionais e se rebelado quando fez 19 anos. 3. Joana D'Arc era a mulher mais procurada e caçada no mundo quando tinha 19 anos, tendo criado uma revolução.
Daí vem Ed Kennedy, também com 19 anos de idade... Um pouco antes do assalto lá no banco, eu já estava fazendo um balanço geral de minha vida. Taxista — pra conseguir este emprego, tive que mentir na idade. (É preciso ter no mínimo 20 anos.) Não segue carreira nenhuma. Não tem o menor respeito na comunidade. Porra nenhuma. Percebi que tinha uma porrada de gente em tudo quanto é canto realizando coisas bacanas enquanto eu recebia ordens dos Dereks da vida, uns executivos praticamente carecas, sem contar que ainda tinha que ficar de olho prós pés-de-cana que eu pegava às sextas-feiras à noite não vomitarem no meu táxi ou não me darem o cano, saindo sem pagar a corrida. Na verdade foi a Audrey quem teve essa idéia de tentar dirigir táxi. Não precisou muito pra me convencer, ainda mais porque eu estava de quatro por ela fazia um tempão. Eu nunca saí desse subúrbio. Faculdade nunca foi minha praia. Minha praia era Audrey. Eu estou sempre me perguntando; "E aí, Ed, o que você fez de útil nesses 19 anos de vida?" A resposta é simples: Porra nenhuma." página 22


O livro é escrito em primeira pessoa, em uma linguagem oralizada, de maneira leve e divertida que acaba prendendo a atenção do leitor. É como participar de um diálogo, em que as emoções causadas pela leitura fluem como respostas. No decorrer da leitura a curiosidade vai aumentando, a vontade de entender "o que está acontecendo afinal de contas" prende completamente a atenção. Além disso o final é inesperado e impressionante. Este é o primeiro livro que leio de Markus Zusak, e com certeza não será o último, pois o escritor demonstrou ser portador de criatividade e sensibilidade imensa. Para quem não leu, fica então a dica!  Leitura recomendada!
Minha Avaliação: ♦♦♦♦♦ (Ótimo)



O Autor:

Markus Zusak
Nasceu em Sydney, em 1975, filho de pai austríaco e mãe alemã. Vive até hoje na cidade. Tem cinco livros publicados, dos quais Eu sou o mensageiro é o terceiro. Publicou seu primeiro romance, The Underdog, em 1999, e o segundo, Getting the Girl, em 2001. Seus trabalhos mais recentes são Fighting Ruben Wolfe e o grande sucesso internacional A menina que Roubava Livros.



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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Bicicleta Azul 3- O Sorriso do Diabo - Régine Deforges

Título Original: Le Di’able S’em Rit Encore
Autora: Régine Deforges
Editora: Editora Best Seller
Edição: 7º edição
Tradução: Ligia Guterres
ISBN: 85-85091-15-0
Páginas: 378
"... Eis que o tempo faz a sua obra - as lágrimas secarão, o ódio se extinguirá, os túmulos desaparecerão. A França, porém, continuará a existir". 
- Charles de Gaulle (Memórias de Guerra - "A Salvação")

"Wo wir sind, da ist immer vorn
Und der Teufel der lacht nur dazu.
Ha, Ha, Ha, Ha, Ha, Ha, Ha!"

"Onde estamos é sempre na vanguarda
E é aí que o Diabo ainda ri.
Ha, Ha, Ha, Ha, Ha, Ha, Ha!"

Em 1944, já não há dúvidas quanto ai desfecho da Segunda Guerra Mundial. Cada qual escolheu seu campo. Chegou a hora das matanças, dos ajustes de contas, dos últimos e decisivos confrontos militares.
A jovem Léa Delmas, que conheceu o horror em todas as formas, que descobriu o ódio e se temperou na coragem, agora está amadurecida. Tendo se envolvido nas lutas da Resistência francesa até o limite de suas forças, quer continuar ativa até o fim. O caminho que escolheu a leva desde Montillac em chamas até Berlim em ruínas, passando por Paris já em clima de festa, mas ainda não livre de perigos. 
Durante os últimos dois anos do conflito, é desses riscos que a corajosa Léa tira uma razão para viver. E, terminado o pesadelo em 1945, a vida de Léa irá finalmente culminar no amor.

Terceiro volume da série Bicicleta Azul da escritora francesa Régine Deforges, O Sorriso do Diabo é um livro forte e arrebatador. Depois de conhecer Léa, a heroína corajosa e fora dos padrões, bem como os demais personagens, igualmente marcantes, a história chega à um ponto crucial. 
É 1994, fase final da guerra, e também a mais crítica. Léa e Camille envolvem-se de uma vez com a Resistência Francesa, tornando-se fugitivas. As duas mulhers e o pequeno Charles, filho de Camille e Laurent. abrigam-se no interior da França, sem receber notícias de suas famílias. Enquanto isso a guerra se alastra e martiriza a todos. O padre Adrian Delmas perde sua fé completamente e toma uma decisão que muda sua vida de uma vez por todas, decide matar, com suas próprias mãos, o colaboracionista Maurice Fiaux.
Após diversas reviravoltas, como a destruição de Montillac, Léa retorna a Paris. De volta à rua da Universidade, no apartamento de suas tias Lisa e Albertine, ela acaba adoecendo devido as pressões da guerra. 

"Léa sentiu no seu próprio crânio o frio do metal da máquina de tosquiar. Perto dela, algumas mulheres ficaram silenciosas.Uma delas enxugou uma lágrima, talvez solidária, enfim, com aquela criatura humilhada, ridícula, com sua cabecinha emergindo do vestido de flores e o cartaz pendente do pescoço onde uma mão desajeitada escrevera: PUTA QUE VENDEU O MARIDO.
Dois homens levantaram a mulher e a empurraram para junto das outras já tosquiadas, que se ajeitaram no banco, dando-lhe lugar. Sentou-se ao lado de uma mãe que embalava o filho.
Avidamente, Léa olhou para o grupo das que ainda tinham cabelos, à procura de Françoise.
Uma moça alta, elegante e morena, veio substituir a senhora Michaud na cadeira.  - Olhem só, minhas senhoras e meus senhores!... Olhem. Ao vê-la assim tão séria e compenetrada, lhe dariam a comunhão sem confissão. Pois bem, senhoras e senhores. - - é uma porca que preferiu dar o cu aos alemães em vez de a um dos nossos heróis! O que é que isso merece?
- Raaaaaspem-na! Raaaaaspem-na!
Era um jogo, uma farsa, uma comédia, um mistério como os que antigamente se representavam no patamar das catedrais para edificação dos fiéis. Nesses tempos remotos, porém, não se tratava do Mistério das Virgens Loucas e das Virgens Prudentes nem dos jogos do Casamento ou da Folhagem, mas sim do Mistério da Paixão. Não era aquele que se representara em Valenciennes, em 1547, e pelo qual os assistentes pagaram meio soldo ou seis dinheiros, mas sim o quadro da época atual absurda e magnífica, covarde e magnânima corajosa e estúpida, heroica e criminosa, vivida pela França nos primeiros dias da sua libertação." Página 222  

Quando volta si, toma a decisão de se alistar na Cruz Vermelha, com a ajuda de François Tavernier. Após ser admitida como condutora dos feridos, Léa é enviada primeiro ao norte da França, posteriormente a Inglaterra e por último para Berlim, onde se depara com os horrores da Alemanha arrasada, e a triste realidade dos campos de concentração.

"Prados e pinhais estendiam-se a perder de vista, O caminho subia em direção ao campanário pontiagudo que dominava o casario da aldeia de Bergen. As casas eram rodeadas por maciços de flores. Sem os tanques, os caminhões e os soldados estacionados ao longo da estrada, parecia que a guerra se desenrolava bem longe dali.
De repente, depois de uma curva do caminho, numa planície nua, surgiu a visão de um universo de pesadelo,
com as barreiras de arame farpado, torres de vigia e filas de barracões esverdeados.
Criaturas esqueléticas, vestidas com sacos listrados, erravam sobre a areia cinzenta. Alguns dos fantasmas aproximaram-se da cerca para vir ao encontro dos recém-chegados. Estendiam-lhes os braços descarnados e procuravam sorrir, enquanto as lágrimas lhes deslizavam pelos rostos desfeitos. Mas os sorrisos eram de tal
forma horríveis que amendrontavam os soldados. Ficaram imóveis por instantes, como se temessem o que iriam descobrir.
O dr. Hughes mandou distribuir café quente. Depois entraram no campo.
Presos ao arame farpado viam-se cadáveres seminus. Pelo chão, mais cadáveres de homens, de mulheres e de crianças, despidos ou cobertos de farrapos, mísera escória da humanidade.
Lentamente, os ingleses penetravam num mundo além da imaginação, povoado de criaturas que recuavam erguendo um braço diante do rosto, ou que se adiantavam, eretas, transportando com dificuldade o peso do próprio corpo e emitindo um som leve, semelhante ao roçar de milhares de patas de insetos.
Léa caminhava muito ereta, sem conseguir despregar os olhos dos rostos de cores insólitas - bistre, verde, cinzento, ou violeta.
A multidão de mortos-vivos abria alas diante deles. Entraram  por um caminho de ronda, à esquerda, depois à direita. Esmagador e sombrio, todo o horror do campo de concentração se revelava a eles." Página 346 - 347  

Esse livro é melhor que os dois primeiros, mostra os absurdos da guerra de uma maneira tão verdadeira que chega a impressionar. No princípio é bastante cansativo, principalmente na parte em que Léa e Camille estão escondidas com a Resistência. Além disso não é romântico como os outros volumes anteriores, François Tavernier aparece apenas depois da metade do livro.
Apesar disso fica claro o crescimento psicológico dos personagens. Léa deixa de ser uma garota mimada e passional, para se tornar uma mulher empreendedora e sensível ao mesmo tempo, e François Tavernier deixa de ser apenas um conquistador misterioso para se tornar um homem verdadeiramente apaixonado e de caráter muito mais firme.
Aqueles que tiverem paciência e persistirem na leitura se surpreenderão com o brilhante desfecho. É impossível terminar esse livro sem se sentir enredado e preso à história. Leitura Indicada!
Minha Avaliação: ♦♦♦♦♦ (Ótimo)



Outros Livros da Série (Confira as resenhas dos volumes anteriores):

A Bicicleta Azul 3 - O Sorriso do Diabo
A Bicicleta Azul 4 - Tango Negro
A Bicicleta Azul 5 - Rua de Seda
A Bicicleta Azul 6 - A Última Colina
A Bicicleta Azul 7 - Cuba Libre
A Bicicleta Azul 8 - Argel, Cidade Branca

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Música da semana: Enjoy the silence - Depeche Mode


A música dessa semana foi um hit de sucesso nos anos 80, e até hoje ainda é bastante ouvida. Trata-se de Enjoy the silence da banda (New Wave, Synthpop e Alternative dance) Depeche Mode. Grupo formado em 1980 em Essex na Inglaterra.
Inicialmente integrada por David Gahan (vocal), Martin L. Gore (teclado, guitarra, vocal), Andrew Fletcher (teclado) e Vince Clarke (teclado). Em 1981 Clarke saiu e foi substituto por Alan Wilder, que em 1995 também se retirou. A partir de então a banda prosseguiu como um trio.
Depeche Mode continua ativa e é inspiração para várias outras bandas de sucesso atuais.


Letra:

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can't you understand
Oh my little girl
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very
Unnecessary
They can only do harm
Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very
Unnecessary
They can only do harm
Enjoy the silence...


Faça o Download da música AQUI!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Discurso do Rei

Título original: (The King's Speech)
Lançamento: 2010 (Inglaterra)
Direção: Tom Hooper
Atores: Colin Firth, Helena Bonham Carter, 
Geoffrey Rush, Michael Gambon.
Duração: 118 min
Gênero: Drama
Dois mundos se uniram para dar à nação uma só voz.


História do rei George VI, pai da atual rainha da Inglaterra, Elizabeth II. Após ver seu irmão Edward (Guy Pearce) abdicar o trono inglês, o jovem George (Colin Firth) se vê obrigado a assumir relutantemente a coroa.
Dono de uma incontrolável gagueira que o impede de discursar para o público, o rei busca a ajuda do terapeuta nada ortodoxo Lionel Logue (Geoffrey Rush). Em meio a tudo isso, precisa juntar forças para comandar o país na Segunda Guerra Mundial.


Bertie era gago desde a infância, e por mais que tentasse não conseguia se curar. Tendo consultado diversos especialistas conceituados, e não obtendo sucesso, ele resiste de buscar ajuda. 
Sua esposa, entretanto, ouve falar de um homem, cujos antecedentes eram positivos, na cura de problemas de dicção. Elizabeth entra em contato com Lionel Logue, um australiano cujos métodos eram considerados pouco convencionais. Ela nunca perdeu as esperanças na cura do marido, e deposita em Logue sua confiança.
Quando inicia o tratamento, Bertie permanece cético, porém quando se depara com uma pequena vitória de Lionel, ele passa aos poucos a confiar nele.
Logue acredita que a gagueira de Bertie está ligada à traumas e pressões de sua infância, e, enquanto aplica exercícios mecânicos, também explora o subconsciente de Bertie. Porém eles não tem muito tempo. Com a morte do rei, um dos príncipes herdeiros deveria assumir o trono inglês.
Edward, irmão mais velho de Bertie torna-se rei, mas permanece por pouco tempo, pois está envolvido com uma mulher divorciada, e pretendendo casar-se com ela, renuncia em favor de Bertie, o Duque de York, que se torna o rei George VI.
O problema de George, contudo, é a falta de autoconfiança, causa real de sua gagueira. Com o início da Segunda Guerra Mundial, George VI terá de enfrentar seus medos e dificuldades para discursar para toda a nação.

Ganhador de quatro Oscar em 2011, incluindo de melhor filme, O Discurso do Rei é um filme belo e bem executado. As atuações foram perfeitas, Collin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter deram verdadeira alma ao filme.
Li diversas críticas negativas a respeito de O Discurso do Rei, a maioria delas questionando o merecimento do Oscar. É verdade que o filme não é do tipo impressionante, porém a qualidade é indiscutível. Esse é um filme que trata de um tema diversificado, o oposto do que se costuma ver ultimamente, e mais do que isso foi feito com tal zelo, que mesmo não conhecendo Tom Hooper poderia jurar que se trata de um perfeccionista.
Não sobram falhas para apontar, e talvez tamanha perfeição tenha tornado o filme "rigoroso" demais. Essa possível sensação pode ser amenizada pela atuação de Firth, que conseguiu extrair de seu personagem a emoção na medida certa.
O Discurso do Rei não trouxe grandes surpresas, mas a qualidade que lhe valeu o Oscar. Aos que ainda não assistiram, não percam!
Minha Avaliação: ♦♦♦♦ (Ótimo)

Faça o download do filme AQUI!

Trailer legendado:






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