terça-feira, 18 de outubro de 2011

Assassinatos na Academia Brasileira de Letras - Jô Soares

Título: Assassinatos na Academia Brasileira de Letras
Autor: Jô Soares
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 8535906177
Páginas: 256
1º Edição - 2005
 Meu desejo sincero seria que nossa Academia Brasileira não se esquecesse tanto de que também é de... letras!
- Afonso Arinos de Melo Franco

O ano é 1924 e a cidade é o Rio de Janeiro. O cassino do Copacabana Palace foi inaugurado e o glamour e sofisticação já estavam presentes em Ipanema desde então. Era pelo centro da cidade maravilhosa que circulava a alta sociedade e os grandes intelectuais em atividade em nosso país. Mal sabem estes pensadores que um serial killer está à solta, exterminando somente um tipo de vítima: os membros da prestigiada Academia Brasileira de Letras.
Mas quais os motivos que levam alguém a cometer um ato insano contra homens que se reúnem todas as tardes de quinta-feira para tomar chá com bolo?
Os crimes que acontecem neste livro não se tratam, apesar de todos os imortais mortos, de um ajuste de contas com os cânones bem pensantes de bem escrever pátrio. O assassino não é um crítico ou um leitor mais exigente, mas alguém que age envolto ao mistério da trama. Os Imortais da Academia Brasileira de Letras morrem em cartões-postais do Rio. Sem sangue. Estrebucham aparentemente do nada. No bondinho do Corcovado, no altar da igreja da Candelária. A brincadeira proposta por Jô é fazer com que o leitor, no meio de várias pistas, descubra qual é a verdadeira e identifique o criminoso.



Assassinato na Academia Brasileira de Letras é um livro curto, porém com uma quantidade de conteúdo impressionante. Logo nas primeiras páginas o leitor é levado a mente do assassino, cuja identidade será revelada apenas nas páginas finais do livros. Esse indivíduo misterioso planeja a morte dos "Imortais", os membros da Academia Brasileira de Letras, e sua motivação pode ser claramente notada, vingança.

"... ele sabia que faltava pouco para que a vingança enchesse seu coração de alegria. Repetiu mentalmente o velho provérbio siciliano "La vendetta è un piano che va servito freddo" ; até que o ritmo da frase se mesclou com a cadência da respiração. Sabia que só a morte lavaria a honra ofendida. Por duas vezes fora vilipendiado, humilhado. A notícia da recusa, glosada até nos matutinos populares, tornara-o motivo de chacota entre o poviléu. Os falsos amigos comentavam sono vote, entre sorrisos sarcásticos: "Ele vai tentar de novo e novamente não será aceito. Jamais deux sans trois... "'. Não lhes daria esse gosto. Seria ele a rir por último. O desagravo tomaria contornos de tragédia. Da sua formação francesa veio-lhe uma frase de Racine: "La vengeance troe faible ature un second crime". "A vingança fraca em demasia atrai um segundo crime. " Neste caso não haveria revide. Seus ofensores pagariam com a vida o ultraje. Pensou na perfeita justiça da vindicta: "Enxovalharam-me juntos, morrerão juntos. Na mesma hora"." pág 4 

Quando dois dos Imortais morrem em um espaço de tempo consideravelmente curto, aparentemente de causas naturais, todos acreditam se tratar de pura coincidência. O detetive Machado Machado, entretanto, não é homem que acredita em coincidências, e resolve investigar. Notem que não foi erro de escrita, nome: Machado, sobrenome: Machado; a causa da repetição é que o pai do detetive era grande fã de Machado de Assis. Machado Machado é portanto grande conhecedor da obra machadiana, e impressiona a todos que o julgam por sua aparência desleixada, o terno desalinhado e o chapéu palheta que sempre usa, além das "olheiras de poeta", que lhe conferiram o apelido de Coruja.
 O detetive convence o chefe de polícia, Floresta, um homem interesseiro, de pouca inteligencia e nenhuma ação, a desenterrar os corpos dos dois Imortais assassinados para executar uma autópsia. Contando com Gilberto de Penna-Monteiro, um legista vivaz e apaixonado por automóveis, Machado Machado descobre que de fato as mortes não ocorreram naturalmente. Penna-Monteiro nunca vira coisa parecida. Ele está certo de que a causa das mortes foi envenenamento, porém, não pode imaginar que tipo de veneno foi empregado.

"Machado Machado horrorizou-se: - Belo consolo. O sujeito se olha no espelho, vê que está com a língua preta, não sabe como pegou, mas fica tranqüilo porque é benigna. - Um dia tudo isso vai ser descoberto. Não esqueça, Machadinho, que a medicina é uma ciência de verdades transitórias - pontificou Penna-Monteiro, um dos poucos a chamá-lo pelo diminutivo. - Está bem. Enquanto essas verdades não transitam, me esclarece sobre esses sinais. - Pra mim só tem uma explicação: veneno. - Eu sabia que essas mortes não eram naturais! - exclamou o Coruja. - Que veneno? - Isso eu não sei. Certamente não é nenhum dos clássicos. Minha intuição me diz que é algum tóxico desconhecido, porque nos meus anos de legista nunca vi nada semelhante. " pág 20

O Coruja e Penna-Monteiro passam a investigar os assassinatos, que acabam ocorrendo novamente. Seguem as pistas deixadas pelo assassino, um bilhete com  o nome Brás Duarte, a figura de um pássaro e a frase "Houve outra logo depois". Enquanto vai em busca de respostas, investigando os Imortais ainda vivos, Machado conhece Galateia, filha de um poeta também acadêmico. Eles passam a investigar juntos o misterioso caso, sem nem mesmo imaginar que todos os seus passos eram observados das sombras.
Fatos históricos, alquimia medieval levada através dos séculos, e famosas obras literárias são assuntos fortemente explorados no livro, que prende a atenção e instiga os sentidos do leitor. Assassinatos na Academia Brasileira de Letras é um livro curto, porém cheios de informações. Logo nas primeiras páginas é possível que o leitor considere a leitura maçante, entretanto os mais pacientes encontrarão um mundo de enigmas e mistério que prende a atenção até a última página. 
Confesso que não gostei muito do final, considerei bastante previsível, mas o conjunto da obra é completamente digno de atenção. Este foi o primeiro livro que li do Jô Soares, e devo dizer que me surpreendi, já que, de certa forma, tenho certo preconceito com a literatura moderna nacional. Este livro serviu para quebrar completamente a imagem que eu tinha dos autores nacionais. Os verdadeiros talentos não devem ser negados, devem ser conhecidos e apreciados. Leitura indicada!
 Minha Avaliação:  ♦♦♦♦ (Bom)

Faça o download do livro AQUI! 

2 comentários:

  1. Oi Hellen! Obrigada por desejar boa sorte, espero que eu consiga! :)
    Nossa, que legal esse livro do Jô! Fiquei com vontade de ler apesar de você ter dito que o final é previsível... mas bom, as vezes o desenrolar da história compensa o final não é?
    Já sou sua nova seguidora!

    Um beijo,
    Luara - @luuara
    http://estantevertical.blogspot.com/

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☺ Obrigada por comentar. ☺
Volte sempre ao Hellen's Stuffs!

Beijos♥
H.C.C.Reis

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