sexta-feira, 25 de março de 2011

Carniça - Moisés Liporage

Um esconderijo ultrasseguro, um jovem paranoico, uma linda grávida e um bando de violentos criminosos à espreita. Quem vai levar a melhor neste thriller pop e soturno?


Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!
Versos Íntimos - Augusto dos Anjos


Qualquer um vive alerta diante dos muitos riscos que o cotidiano oferece. Só que no caso de Gilberto dos Anjos, essa atenção beira a patologia. O problema dele é garantir que a morte demore muito a chegar. Por isso, ele construiu um bunker-sarcófago na região serrana do Rio. Sempre que se vê afligido por alguma suspeita de ameaça fatal, concreta ou abstrata, Dos Anjos sobe até seu retiro e se esconde das mil urucubacas que acredita rondá-lo de tempos em tempos.
A caminho de mais uma dessas temporadas de hibernação, Dos Anjos oferece carona a Estela, uma jovem grávida com um passado misterioso que literalmente, a persegue com sede de vingança. Ao dar uma de bom samaritano, Gil, este sujeito supersticioso, acaba se arriscando de verdade. Sim, talvez ele tenha finalmente descoberto quando e como vai morrer.


Em uma palavra: Mórbido.
Este livro tem como tema principal a morte, mas não da maneira que costumeiramente é abordada, e sim de um modo novo, doentio e assustador.
Gilberto dos Anjos sofre de uma doença sinistra, a tanatofobia, o medo da morte. Ele constantemente sente a Esquelética, como costuma chamar, a rondá-lo. Nessas ocasiões ele foge para seu bunker-sarcófago a fim de tapeá-la.
Em uma dessas fugas ele encontra Estela, uma grávida que lhe pede carona em uma parada de beira de estrada. A partir dai Dos Anjos acaba sendo lançado em uma terrível teia de morte, descobrindo que seu retiro seguro seja talvez mais vulnerável do que ele poderia supor. A morte estaria à espreita para finalmente tragá-lo?
Carniça é um livro diferente, moderno, muito bem escrito. Há muito tempo não me deparava com algo tão aterrador.
O personagem Gilberto dos Anjos me lembrou imediatamente o poeta Augusto dos Anjos, e não por causa do sobrenome, mas por causa do sentimento negativo e soturno de ambos. Não sei se essa foi à intenção do escritor, mas o poema que coloquei acima combina perfeitamente com toda a história. Enquanto lia o livro cenas pareciam fluir diante dos meus olhos, sempre nubladas, acinzentadas, prova da característica marcante e bem definida que o autor conseguiu empregar. 
Algo que também gostei foi a alusão ao cinema que o autor lançou com precisão. São diversos filmes e artistas citados, tais como Hedy Lamarr, a atriz que criou um sistema de comunicação que deu origem ao sistema de telefonia celular.
Eu indico este livro com tranquilidade, e se os leitores do blog se interessarem pela resenha em breve farei um sorteio de um exemplar de Carniça.





Este livro é mais uma publicação da editora



domingo, 13 de março de 2011

PROMOÇÃO: Jogo da Memória - Laura Bergallo

Oi  pessoal,
essa é a primeira promoção do Hellen's Stuffs, espero que vocês gostem e participem. Depois dessa muitas outras virão!

A promoção é em parceria com a Escrita Fina Edições e vale 1 exemplar do livro Jogo da Memória de Laura Bergallo.

Se não leu a resenha ainda clique AQUI.
Atenção as regras!


Promoção Jogo da Memória - Laura Bergallo
Regras para participar:

1. Ser seguidor do Hellen's Stuffs.
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Veja como conseguir mais números:

Não é obrigatório, mas aqueles que quiserem mais chances de ganhar basta divulgar:

Obs: Preencha o formulário novamente a cada participação extra.

Ganha número extra aquele que

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Promoção Jogo da Memória de Laura Bergallo no Hellen's Stuffs. Concorra a 1 exemplar. Participe. Acesse:  http://migre.me/42qh3


A promoção se inicia hoje 13 de março e será válida até 23:59 do dia 28 de abril de 2011.
Após o sorteio o ganhador tem 3 dias para responder o email, caso contrário farei um novo sorteio.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A Última Música - Nicholas Sparks

Uma história inesquecível de amor, carinho e compreensão - o primeiro amor, o amadurecimento, a relação entre pais e filhos, o recomeço e o perdão - A Última Música demonstra, como só Nicholas Sparks consegue, as várias maneiras que o amor é capaz de partir e curar seu coração.




Aos dezessete anos, Verônica Miller, ou simplesmente Ronnie, vê sua vida virar de cabeça para baixo, quando seus pais se divorciam e seu pai decide ir morar na praia de Wrightsville, na Carolina do Norte. Três anos depois, ela continua magoada e distante dos pais, particularmente do pai. Entretanto, sua mãe decide que seria melhor os filhos passarem as férias de verão com ele na Carolina do Norte.
O pai de Ronnie, ex-pianista, vive tranquilamente na cidadse costeira, absorto na criação de uma obra de arte que será a peça central da igreja local. Ressentida e revoltada, Ronnie rejeita toda e qualquer tentativa de aproximação dele e ameaça voltar para Nova York antes do verão acabar. É quando Ronnie conhece Will, o garoto mais popular da cidade, e conforme vai baixando a guarda, começa a apaixonar-se profundamente por ele, abrindo-se ara uma nova experiência que lhe proporcionará uma imensa felicidade - e dor- jamais sentida.

Este livro tem sido bem falado e muito lido nos últimos tempos, e apesar de saber que muitos leitores discordarão não posso deixar de expressar minha opinião, não totalmente positiva.
Não sou grande fã de romances modernos, e esse em especial não é muito bom. Na realidade o romance em sí é muito fraco, mas outros temas que compõe toda a teia do enredo fizeram com que a leitura valesse a pena. A última música é um livro bem escrito, a história é, apesar dos muitos clichês, cheia de detalhes bem realistas.
Logo no começo, nos primeiros capítulos, a história parece ser igual a milhares de outras, e por isso o início se tornou cansativo.
O personagem Marcus foi na minha opinião, um vilão bem conveniente, tornou tudo mais forçado do que poderia ser e tem um final bem fraco e mal explicado. Em geral é um personagem inútil que não honra com o cargo de vilão da história.

"Acendeu uma bola de fogo de frente para o mar, irritado por Blaze não ir embora. Irritado por Teddy e Lance não irem embora. Tudo o que queria era paz e tranquilidade. Irritado por Blaze ter colocado Ronnie para correr, e, principalmente, irritado por permitir que toda situação o irritasse. Ele não era assim e não gostava de se sentir assim. Dava vontade de bater em algo ou alguém e, ao olhar para a cara de coitadinha de Blaze, colocou-a no topo da lista. Saiu de perto, louco para poder tomar sua cerveja, aumentar o som e ficar sozinho com seus pensamentos. Sem ninguém por perto."
A própria Ronnie era pouco convincente no começo do livro cercada de uma falsa rebeldia que entediava bastante. Depois conforme vão ocorrendo algumas tranformações na vida da personagem o livro passa a caminhar melhor. Ronnie é apesar de tudo uma personagem que poderá chamar atenção de muitas pessoas  pelo grau de realismo que o escritor empregou em sua história de vida. Ela é como centenas de garotas de sua idade, amargurada, revoltada, e ao mesmo tempo em busca de um sentido pra vida.
"Dessa vez seu pai tinha exagerado, dando uma de superprotetor, que ela não conseguia entender. Seu primeiro impulso era o de simplesmente pegar uma carona até um ponto de ônibus e comprar uma passagem de volta para Nova York .
(...) Ela ainda não conseguia acreditar. Como seu pai - seu próprio pai - poderia ter feito algo assim? Ela já era quase adulta, não tinha feito nada de errado, e não era nem meia-noite."

Os outros personagens como Will, o garoto por quem Ronnie se apaixona, Steve, o pai, e Jonah o irmão, principalmente esse último me chamaram atenção por serem doces, e cheios de sentimento. Muitas vezes esse trio me pareceu até perfeito demais, porém mesmo assim me cativaram. Jonah é um dos meus personagens favoritos neste livro.
"— Aquilo. Foi. Tão. Nojento.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou, com o coração ainda em disparada.
— Olhando você e o Will. Como disse foi bem nojento — fez cara de arrepio.
—  Estava espionando agente?
— Não dava pra não espionar. Você estava bem ali, na frente da oficina com Will. Parecia que ele estava praticamente te estrangulando.
— Ele não estava — Ronnie o tranquilizou.
(...)
— A propósito você me deve dez dólares.
— Por quê?
— Ué? Pra eu não contar para o papai o que você e Will estava fazendo. Dã!
Concluindo, não posso dizer que o livro é fantástico, mas é leve e tranquilo, típica leitura sem compromisso.
Quanto ao teor emotivo, essa foi uma "leitura seca", sem lágrimas, pelo menos para mim, apesar de saber que muita gente se debulhou lendo.
Agradeço à minha prima amada, Thays que me emprestou o livro e finalizo com uma frase de que gostei muito:
"A vida, entendeu, era bem parecida com uma música.
No começo, há mistério, e no final confirmação, mas é no meio que reside a emoção e faz com que a coisa toda valha a pena."



Este é o trailer do filme, que por acaso ainda não assisti, mas pelas cenas fica evidente que é bem diferente do livro:




terça-feira, 1 de março de 2011

127 horas

Cada segundo conta.





127 Horas narra a história baseada em fatos reais do alpinista Aron Ralston, vivido por James Franco, que luta por sua sobrevivência após uma rocha cair sobre seu braço e aprisioná-lo em um isolado cânion em Utah.



Indicado ao Oscar de melhor filme, melhor ator, roteiro adaptado, trilha sonora, edição e canção original, 127 horas não levou nenhum. Algumas pessoas poderão julgá-lo mal por isso e deixá-lo passar, o que não seria nem um pouco justo.
Confesso que quando comecei a assistir o filme estava temerosa, já tinha ouvido falar que muitas pessoas desmaiaram e vomitaram na pré-estréia por causa das cenas fortes do filme. Enquanto assistia, porém, fui ficando cada vez mais envolvida com a história e quando acabou ainda tive que ficar imóvel por um tempo, tentando colocar as ideias no lugar.

É sem dúvida uma pena que não tenha recebido nenhum dos Oscar para os quais foi indicado, mas isso não tira o mérito que o filme, cheio de qualidade, conquistou. Em primeiro lugar a direção foi primorosa, Danny Boyle conseguiu tornar um enredo que tinha tudo para ser cansativo e agonizante em algo atraente, envolvente, impressionante e muito sensível.

Também não poderia deixar de falar da atuação de James Franco que me encantou muito. Conhecia apenas seu trabalho na trilogia Homem Aranha, e no filme Tristão e Isolda como o heróico Tristão. Agora acredito que James Franco terminou de mostrar para que veio. Já tinha chamado atenção anteriormente no filme Milk – A voz da igualdade, agora ele definitivamente conquistou seu espaço. James não ganharia o Oscar, não por falta de merecimento (eu torcia por ele), mas porque a Academia já havia deixado isso bem claro quando o chamou para apresentar a cerimônia de premiação. Sem dúvida uma espécie de prêmio de consolação.

Um outro ponto positivo no filme é a trilha sonora feita por A.R.Rahman. As músicas não seguem padrões, não são do tipo que “fabricam” as sensação do filme como geralmente acontece em cenas de pânico, agonia, e terror nos filme. Ao contrário, a trilha sonora completa a atmosfera do filme, ela foi responsável por amenizar as tenções.

Além de toda a técnica, existe o sentimento, e o filme é repleto dele. É certo que eu tenho um fraco por histórias reais, mas esta é especial, do tipo que inspira coragem e perseverança. Por tudo isso e mais um pouco esse filme é super indicado! 





Assista o Trailer de 127 horas:


Ficha Técnica:

Título original:127 Hours

Gênero:Drama
Duração:1 hr 33 min
Ano de lançamento: 2010
Distribuidora: Fox Searchlight Pictures (EUA) |
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Danny Boyle e Simon Beaufoy, baseados em livro de Aron Ralston
Produção: Danny Boyle, Christian Colson e John Smithson
Música: A. R. Rahman
Fotografia: Enrique Chediak e Anthony Dod Mantle
Direção de arte: Christopher R. DeMuri
Figurino: Suttirat Larlarb
Edição: Jon Harris



Faça o Download do filme aqui:




Video com cenas do filme e música tema If I Rise (que concorreu ao Oscar por melhor canção Original):





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