quarta-feira, 14 de julho de 2010

A senhora do jogo - Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe




A continuação da saga da família Blackwell


Não tenho nem palavras para definir a alegria que senti quando soube do livro. Agora após ter me deleitado com cada pedacinho dele me sinto extremamente satisfeita. Tilly Bagshawe fez um excelente trabalho!
O enredo é muito bem construido, os personagens como sempre, marcantes e inesquecíveis. Um livro que tem de ser lido por todos os verdadeiro fãs do Sidney Sheldon e também de todos os novos leitores. É claro que para esses últimos eu recomendaria começar por outros títulos como "A ira dos anjos", "A outra face", "O outro lado da meia noite", e sem dúvida "O reverso da medalha".

Minha paixão por Sidney Sheldon começou anos atrás, quando eu tinha 12 anos, meu primeiro livro dele foi "Nada dura para sempre", apartir do qual não pude mais parar de ler a coleção de 25 livros (com esse 26) de Sidney. Hoje me faltam apenas 3 livros da coleção infanto-juvenil e o "O outro lado de mim" (memórias) para ter lido todas as obras escritas por esse maravilhoso escritor.
Aproveitando o momento emocionalmete fragil gostaria de agradecer meu mentor, meu tio, de quem herdei não só os livros do Sidney mas também a paixão pela leitura.

Sinopse:
” No best seller O reverso da medalha, o renomado autor Sidney Sheldon nos apresentou à glamurosa e dominadora família Blackwell e sua inesquecível matriarca, Kate. Décadas se passaram sem que o talento para manipulação e paixão dos Blackwell fossem atenuados. Apesar de Kate ter falecido há anos, os filhos de suas netas amadas, Eve e Alexandra, lutam para manter seu poderoso legado. Cada um está determinado a controlar a Kruger-Bent, a multibilionária empresa internacional dona de indústrias espalhadas pelo mundo. Mas apenas um deles poderá reinar supremo…
Lexi Templeton é uma competidora implacável, usa sua inteligência e a beleza para conseguir o que quer. Criada pelo pai, Lexi está ansiosa para seguir os passos da bisavó e se tornar a senhora do jogo.
No entanto, ela não é a única com essas ambições. Seu belo e execrável primo, Max Webster, filho de Eve, não se deterá por nada até conquistar a Kruger-Bent. Guiado por ódio, inveja e devoção cega por sua ressentida e perturbada mãe, ele usará de sedução, traição e assassinato para obter sucesso.
E mais um peão entrará na jogada, seguindo os próprios planos: um descendente do avô de Kate. O esperto e charmoso Gabriel McGregor, criado na região pobre de Aberdeen, na Escócia, está determinado a cumprir seu destino… uma jornada que o conduzirá ao centro do império Kruger-Bent.
Nessa família repleta de segredos – assassinatos, identidades secretas, conspirações – e com depravado senso moral, vencer o jogo é a única garantia de sobrevivência.”
Trecho do Livro:
Dark Harbor, Maine – 1984.
Através dos galhos, Danny Corretti olhou para as agitadas pessoas embaixo e sentiu uma onda de vertigem.
— Que diabos estamos fazendo aqui?
Fechando os olhos, ele segurou com mais força o galho da antiga árvore, garantindo que ele e sua câmera continuassem escondidos na densa folhagem verde.
— Ganhando dinheiro — sussurrou seu colega, excitado. — Olhe, ela está ali!
— Onde?
Seguindo a linha de visão de seu amigo, Danny Corretti ajustou a lente do zoom em uma figura no meio da multidão de luto. Vestida de preto da cabeça aos pés, com um manto de renda que caía até o chão cobrindo seu terninho Dior de corte impecável, era impossível ver seu rosto. Poderia ser qualquer pessoa. Mas ela não era qualquer pessoa.
— Está brincando comigo? — Danny Corretti franziu a testa. Abaixo dele o cemitério parecia balançar ameaçadoramente, os antigos túmulos subindo e descendo como cavalos em um carrossel desagradável. — Não consigo ver nada. Tem certeza de que é ela? Poderia ser Johnny Carson embaixo de toda aquela renda.
Seu colega sorriu.
— Tenho certeza de que é ela.
Da árvore à sua esquerda, Danny Corretti escutou os cliques da câmera de seu rival. Focalizou mais uma vez seu zoom e começou a fotografar.
Vamos, doçura. Dê um sorrisinho para o papai.
Uma boa foto do rosto de Eve Blackwell poderia valer uns cem mil para o fotógrafo que a conseguisse primeiro. Qualquer um que fosse capaz de capturar a barriga proeminente poderia esperar ganhar o dobro disso.
Duzentas mil pratas!
Talvez não fosse muito dinheiro para os Blackwell, herdeiros da multibilionária Kruger Brent Ltda. — império de diamantes que se transformara em um conglomerado, e que tornara a família a mais rica dos Estados Unidos -, mas era uma fortuna para Danny Corretti. Foram os Blackwell que trouxeram Danny e outros paparazzi ao cemitério de St. Stephen nesta manhã gelada de fevereiro. Eles vieram enterrar a matriarca da família, Kate Blackwell, que morrera na avançada idade de 92 anos.
Olhe para eles. Parecem moscas-varejeiras voando em volta do corpo da velha senhora. Repugnante.
Danny Corretti sentiu-se nauseado de novo, mas tentou não dar atenção a isso — nem à intensa dor nas costas depois de passar seis horas direto em cima de uma árvore. Sua vontade era se esticar, mas não ousava mexer um músculo sequer, para não arriscar ser visto pelos seguranças da Kruger Brent. Observando as silhuetas taciturnas dos ex-fuzileiros navais vestidos de preto que andavam por todo o perímetro do cemitério, com suas armas grudadas ao peito como objetos de estimação, Danny Corretti sentiu uma pontada de medo. Duvidava que Kate Blackwell tivesse contratado algum deles por causa do senso de humor.
Você vai ficar bem. Só precisa conseguir a foto e dar o fora daqui. Vamos Eve, doçura. Olha o passarinho.
Danny Corretti realmente não fora feito para esse tipo de trabalho. Um homem alto e magro, com pernas sobrenaturalmente compridas e cabelos muito louros, quase brancos, por cima de sua pele italiana azeitonada; não havia muitos lugares no cemitério de Maine capazes de esconder seu corpo de 1m90. A velha árvore fora a melhor opção, mas ele tivera de chegar absurdamente cedo para superar seus rivais e conseguir um lugar estratégico e tão cobiçado. Agarrado aos galhos mais altos agora, cada tendão de seu corpo parecia em chamas, apesar do dia extremamente frio. Rangeu os dentes, amaldiçoando suas longas pernas.
Pense no dinheiro.
Ironicamente, se não fosse por causa de suas pernas compridas, Danny nem estaria nesta profissão maluca.
Se não fossem suas pernas compridas, o marido de sua amante nunca teria visto seus pés tamanho 44 por baixo da cama de casal.
Ah, Carla. Deus, ela era linda! Nenhum homem conseguia resistir a ela. Se aquele brutamontes com quem ela se casou não tivesse saído mais cedo do trabalho…
Foram as pernas compridas de Danny que fizeram com que levasse uma surra de quebrar ossos e fosse parar no hospital público (sem plano de saúde). Graças às suas pernas compridas, sua esposa Loretta descobrira seu caso, se divorciara dele e ficara com a casa. Agora, graças às suas pernas compridas, o advogado com cara de rato de Loretta estava exigindo que Danny pagasse uma pensão de mil dólares por mês.
Mil dólares? Quem eles pensavam que ele era, o maldito Donald Trump?
Sim, toda a culpa por sua difícil situação atual era de suas pernas compridas. Por que outro motivo passaria uma manhã de domingo apertado e congelando em cima de uma árvore de 400 anos em cima de um cemitério, arriscando seu pescoço por uma mísera foto da mulher que os tabloides apelidaram de “A Fera dos Blackwell”?
As pernas compridas de Danny Corretti tinham muito pelo que responder. Ele ia conseguir a foto de Eve Blackwell mesmo que isso acabasse com ele.

A voz do padre ecoava pelo ar gelado de fevereiro, intensa, forte e poderosa.
— Deus misericordioso, o Senhor conhece o tormento dos pesarosos…
Por trás do grosso véu, Eve Blackwell riu com desdém. Pesaroso? Ver aquela bruxa velha morta e enterrada? Por favor. Se eu fosse dez anos mais nova, estaria dando pulos de alegria.
Hoje, Eve estava enterrando uma de suas inimigas. Mas não descansaria até enterrar todos eles. Uma já tinha ido, faltavam três.
— O Senhor escuta as orações dos humildes…
Eve Blackwell olhou em volta para o pequeno grupo de familiares e amigos que tinham vindo se despedir de sua avó Kate, e se perguntou se algum deles poderia ser descrito como humilde.
Sua irmã gêmea idêntica, Alexandra, estava ali. Aos 34 anos, ela ainda era linda, com as maçãs do rosto salientes, cabelo louro e os deslumbrantes olhos cinza que herdara do bisavô, fundador da Kruger Brent, Jamie McGregor.
Eve estreitou os olhos com ódio. O mesmo ódio que sentia pela irmã desde o dia em que nasceram.
Como ousa! Como minha irmã ousa ainda ser linda!
Alexandra chorava copiosamente, segurando com força a mão de seu filho, Robert. O menino louro, delicado e doce de 10 anos era uma cópia de sua mãe. Um pianista talentoso, ele era o preferido de Kate Blackwell e herdeiro da Kruger Brent.
Não por muito tempo, pensou Eve. Vamos ver quanto tempo o garoto vai durar sem Kate por perto para protegê-lo.
Eve Blackwell sentiu um aperto no peito. Como odiava os dois, mãe e filho, e suas lágrimas de crocodilo! Se ao menos fosse o corpo de Alexandra a ser colocado naquele buraco de terra gelada. Então, a felicidade de Eve seria realmente completa.
Ao lado de Alexandra, estava seu marido, o famoso psiquiatra Peter Templeton. Alto, moreno, bonito, com olhos azuis, Peter Templeton parecia mais um atleta do que um psiquiatra. Ele e Alexandra formavam um lindo casal. Peter já fora arrogante o suficiente para achar que compreendia Eve. Acreditava que podia ver através dela, até o âmago do ódio que borbulhava dentro dela. Alexandra, com toda a sua bondade, nunca conseguira ver o quanto sua irmã gêmea a odiava. Mas seu marido via.
Eve sorriu.
Tolo inútil. Ele acha que me conhece, mas não consegue vislumbrar mais que a superfície.
Não, Peter Templeton não era humilde.
E seu próprio marido, o famoso cirurgião plástico Keith Webster? Muitas pessoas o viam como uma pessoa humilde. Eve podia ouvir os gratos pacientes dele: “O querido Dr. Webster, que cirurgião talentoso, mas tão tímido e modesto em relação ao seu dom.” Eve sentiu um arrepio quando Keith envolveu seus ombros com um braço marital e protetor.
Protetor? Ele não é protetor. É possessivo. E psicótico. Me chantageou para casar, depois deliberadamente destruiu meu rosto, mutilando minhas lindas feições e me transformando neste monstro. Tudo para que eu não o deixasse.
Um dia vou fazê-lo pagar pelo que fez.
Eve Blackwell era muitas coisas, mas não era burra. Sabia que as árvores e moitas em volta da igreja St. Stephen estavam cheias de fotógrafos, e sabia o porquê: todos queriam uma foto de seu espantoso rosto desfigurado.
Bem, podiam ir todos para o inferno. Por trás, ainda era possível ver o corpo perfeito e feminino de Eve. Mas a parte da frente estava escondida. Nenhuma lente no mundo conseguiria penetrar o espesso véu de renda tecida a mão. Eve se certificou disso.
Um dia famosa por sua beleza, nos últimos anos Eve Blackwell se transformara em uma prisioneira em sua cobertura em Manhattan, com medo de mostrar ao mundo seu rosto coberto por cicatrizes monstruosas. Na verdade, não era vista em público havia dois anos. A última vez fora na festa de aniversário de 90 anos da avó em Cedar Hill House, a Camelot particular da família, a poucos metros de onde a velha mulher estava sendo enterrada para o repouso eterno.
Kate Blackwell tinha sorte. Fora se juntar aos seus amados fantasmas: Jamie, Margaret, Banda, David, e os espíritos do passado africano longo e violento da Kruger Brent. Mas Eve não teria tal descanso. Com os boatos já circulando sobre sua gravidez — ambas, Eve e Alexandra Blackwell, estavam grávidas, embora a família se recusasse a confirmar para a imprensa —, Eve tinha plena consciência de que o preço de sua cabeça tinha dobrado. Não havia um editor de tabloide dos Estados Unidos que não venderia a alma por uma foto mais ou menos decente da Fera dos Blackwell carregando um filho.
E pensar que eles me chamam de monstro…
— Senhor, escute o Seu povo, que implora em necessidade…
Eve observou silenciosamente o caixão de Kate Blackwell baixar no túmulo recém-aberto. Brad Rogers, o número dois de Kate na Kruger Brent por três décadas, abafou um soluço. Ele mesmo um homem bastante velho agora, com o cabelo tão branco e fino quanto a neve embaixo de seus pés, estava completamente arrasado com a morte de Kate. Ele a amara em segredo durante anos. Mas fora um amor que ela nunca conseguiu corresponder.
Como ela está pequena!, pensou Eve, enquanto a patética caixa de madeira desaparecia nas profundezas da terra. Kate Blackwell, que fora gigante quando viva, respeitada por presidentes e reis, parecia insignificante no final.
Não vai ser um bom banquete para os vermes de sua amada Dark Harbor, vai, vovó?
Durante anos, Kate Blackwell fora a nêmesis de Eve. Fizera tudo ao seu alcance para evitar que sua neta malvada atingisse seu objetivo na vida: assumir o controle da empresa da família, a poderosa Kruger Brent.
Mas agora Kate Blackwell se fora.
— Garanta seu descanso eterno, ó, Pai, e que Sua luz perpétua brilhe sobre ela.
Já vai tarde, sua bruxa velha e vingativa.
— Que ela descanse em paz.

Danny Correti olhou infeliz os negativos na sua frente. Suas costas ainda o estavam matando depois dessa manhã, e agora ele sentia uma enxaqueca se aproximando.
— Conseguiu alguma coisa?
Seu amigo tentou parecer esperançoso. Mas já sabia a resposta.
Nenhum deles conseguira a foto de duzentos mil dólares.
Eve Blackwell fora mais esperta que todos.

Sobre Tilly Bagshawe:
"Autora de best sellers internacionais, largou uma carreira de sucesso no mercado financeiro americano para se tornar escritora. Como jornalista, colaborou para o Sunday Times, o Daily Mail e o Eventing Standard. É casada e divide seu tempo entre Los Angeles e Londres".

Sobre Sidney Sheldon:
"Consagrado como o escritor mais popular do planeta, publicou 25 livros, que chegaram ao topo das listas de mais vendidos, e vendeu 300milhões de exemplares. Suas obras foram traduzidas para dezenas de línguas em 180 países, o que lhe rendeu a classificação de "autor mais traduzido do mundo" pelo livro Guinness. Também foi bem-sucedido no teatro, no cinema e na Tv: criou seis peças da Broadway, 25 roteiros para séries televisivas. Morreu em 2007 de complicações cusadas por uma pneumonia."

Um comentário:

  1. Ai ai... sua paixão por livros me encanta, vida! Acho isso muito lindo!!! Keep Goin'

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Beijos♥
H.C.C.Reis

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